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Conab revê safra total com ajuste em soja e milho; perdas no RS não foram contabilizadas

A área semeada para a soja na safra 2023/2024 teve um ajuste a partir da identificação de novas áreas de cultivo no Maranhão, Goiás, Pará, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O mesmo foi verificado para o milho 2ª safra. As informações estão no 8º Levantamento da Safra de Grãos 2023/2024 divulgado nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Diante disso, a estimativa para a produção nesta temporada está em 295,45 milhões de toneladas de grãos. No entanto, as fortes chuvas registradas no Rio Grande do Sul trarão impactos negativos para o resultado final do atual ciclo.

“Não é possível ainda ter precisão nas perdas para o setor no estado. Os níveis de água estão elevados e o acesso às propriedades é difícil, impossibilitando que se faça uma avaliação mais detalhada. E vale ressaltar que neste primeiro momento a preocupação é com as vidas e com a garantia do abastecimento, fazer com que as pessoas atingidas pelas chuvas tenham o direito ao básico, como a alimentação”, afirma o presidente da companhia, Edegar Pretto.

Arroz

Atualmente, a produção para o arroz está estimada em 10,495 milhões de toneladas pela Conab. Porém, as frequentes e volumosas chuvas registradas no Rio Grande do Sul, principal produtor do grão no país, resultarão em perdas nas lavouras da cultura no estado. Os prejuízos ainda estão sendo mensurados, mas pelo menos 8% da área gaúcha para a cultura registrará perdas devido às volumosas chuvas, indica a estatal.

Nos demais estados, a colheita avança favorecida pela estabilidade climática. Até o dia 5 deste mês cerca de 80,7% da área semeada em todo país já estava colhida. A qualidade dos grãos colhidos é satisfatória, com bons rendimentos também na quantidade de grãos inteiros, indica o levantamento.

Feijão

Para o feijão, as atenções se voltam para a segunda safra da leguminosa. Com a área toda semeada, as lavouras vêm apresentando um bom desenvolvimento. No Paraná, as chuvas foram irregulares nas principais regiões produtoras nas últimas semanas, mas, de acordo com as avaliações dos técnicos da Conab, é perceptível que as condições climáticas gerais estão melhores que no início do ciclo, beneficiando as lavouras mais tardias e devendo elevar a média produtiva da cultura em comparação à temporada anterior.

Já em Minas Gerais foi verificado um leve incremento de área plantada em relação ao ano passado. As condições gerais das lavouras mineiras são consideradas boas, com a umidade do solo sendo favorável ao desenvolvimento da cultura.

Somando as três safras do grão, a produção nacional deverá atingir 3,32 milhões de toneladas, volume 9,5% superior à produção de 2022/23.

Milho

O levantamento da Conab também estima uma colheita de milho em 111,64 milhões de toneladas, redução de 15,4% se comparada com a temporada passada. A primeira safra do cereal teve, na maioria dos estados produtores, produtividades inferiores às obtidas no último ciclo, influenciadas por condições climáticas adversas ocorridas.

Na segunda safra do grão, as condições não são uniformes. Em Mato Grosso, a maioria das lavouras encontram-se em enchimento de grãos, com bom desenvolvimento e boa reserva hídrica no solo. Porém, em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e parte do Paraná, a redução das precipitações em abril provocou sintomas de estresse hídrico em diversas áreas.

Soja

Em virtude dos ajustes de área e produtividade, neste levantamento, caso a condição de catástrofe climática não tivesse ocorrido no Rio Grande do Sul, a produção brasileira de soja, estimada nesse levantamento, seria superior a 148,4 milhões de toneladas. No entanto, a estimativa atualizada de produção da oleaginosa é de 147,68 milhões de toneladas, redução de 4,5% sobre a safra anterior. Com a atualização realizada, área total cultivada na safra 2023/24 é de 45,7 milhões de hectares, 3,8% superior ao semeado na safra passada. Porém, as produtividades foram inferiores às da safra passada em quase todo o país, reflexo das condições climáticas adversas ocorridas durante a implantação e desenvolvimento da cultura, com falta e excesso de precipitações em épocas importantes no desenvolvimento da cultura. 

Já para o algodão, é esperado um crescimento de 16,7% na área cultivada, explicado, principalmente, pelas boas perspectivas de mercado. As condições climáticas continuam favorecendo as lavouras, predominando os estágios de floração e formação de maçãs. Com isso, a produção da pluma deve atingir 3,64 milhões de toneladas, recorde na série histórica da Conab. 

No caso das culturas de inverno, a semeadura do trigo já teve início nos estados do Centro-Oeste e Sudeste e no Paraná. No Rio Grande do Sul, em face dos altos índices pluviométricos que vêm ocorrendo no estado, o plantio da cultura deverá iniciar com um certo atraso nas regiões mais quentes do estado (Alto Uruguai e região das Missões), que também são as responsáveis pelo maior plantio da cultura.

Mercado

Neste levantamento, a Conab fez ajustes no quadro de suprimento de arroz. Estima-se uma expansão do consumo nacional  do grão para 11 milhões de toneladas na safra 2023/24. Essa revisão foi realizada com base no provável cenário de políticas públicas de incentivo à ampliação de consumo de arroz ao longo de 2024. As importações do grão foram aumentadas e agora estão projetadas em 2,2 milhões de toneladas, enquanto as exportações tiveram leve redução e podem atingir 1,2 milhão de toneladas.

No entanto, essas estimativas serão atualizadas à medida que os impactos das fortes chuvas no Rio Grande do Sul forem mensurados, uma vez que os dados ainda são preliminares, dada a dificuldade de acesso às regiões afetadas. A redução deverá acontecer tanto no produto a ser colhido, quanto no grão já estocado em áreas inundadas.

Para a soja, a revisão na área cultivada permitiu um leve aumento na produção em relação ao último levantamento, o que possibilita uma estimativa de exportações em 92,5 milhões de toneladas. Mas, assim como no caso do arroz, a projeção tende a ser revisada à medida que os impactos das chuvas no estado gaúcho forem dimensionados. No entanto, a produção brasileira atende o abastecimento interno, devendo as vendas ao mercado internacional serem impactadas.

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Agricultura

Tragédia do RS faz preços da soja subirem no Brasil e em Chicago

O mercado brasileiro de soja apresentou grandes movimentações na comercialização do grão neste início de semana.

Com o aumento significativo das cotações na Bolsa de Chicago, as cotações internas demonstraram uma valorização considerável, criando oportunidades para os produtores que realizaram negociações em volumes maiores, destacou a Safras Consultoria.

Embora o dólar tenha permanecido praticamente estável, as flutuações nos preços em
Chicago exerceram uma influência significativa sobre as cotações internas.

Veja os preços no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 126 para R$ 131
  • Região das Missões: avançou de R$ 125 para R$ 130
  • Porto de Rio Grande: aumentou de R$ 133 para R$ 138
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 126 para R$ 129
  • Porto de Paranaguá (PR): passou de R$ 133 para R$ 136
  • Rondonópolis (MT): foi de R$ 117 para R$ 119
  • Dourados (MS): passou de R$ 118 para R$ 120
  • Rio Verde (GO): partiu de R$ 116 para R$ 119

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a segunda-feira com preços mais altos. As inundações no Rio Grande do Sul e os prejuízos sobre as lavouras gaúchas impulsionaram as cotações.

As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 348.654 toneladas na semana encerrada no dia 2 de maio, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 276.092 toneladas.

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 33,75 centavos de dólar, ou 2,8%, a US$ 12,48 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,46 por bushel, com ganho de 30,50 centavos ou 2,5%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 15,40 ou 4,13% a US$ 387,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 43,84 centavos de dólar, com elevação de 0,76 centavo ou 1,76%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,08%, sendo negociado a R$ 5,0741 para venda e a R$ 5,0720 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0602 e a máxima de R$ 5,0918.

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Agricultura

Como os preços da soja devem se comportar nesta semana?

O câmbio e a Bolsa de Chicago tiveram movimentos favoráveis aos produtores de sojana última semana. Confira, abaixo, o resumo dos principais fatos que impactaram o mercado nos últimos dias e a análise da plataforma Grão Direto sobre o que está por vir.

Como foi a semana da soja

Demanda norte-americana continua fraca: as vendas semanais para exportação mais uma vez vieram fracas (210,9 mil toneladas), e abaixo das expectativas (300 a 600 mil toneladas).

Exportações recordes no Brasil: os embarques de soja alcançaram números históricos para o mês de abril e para o acumulado de 2024, ultrapassando a marca de 10 milhões de toneladas em apenas 15 dias úteis.

Dólar em queda temporária: apesar do cenário de cautela nos Estados Unidos, Brasil e Oriente Médio, o dólar teve uma semana de queda no mundo. No Brasil, ele permaneceu em níveis acima de R$ 5,10.

Contratos futuros: em Chicago, o contrato de soja para maio de 2024 encerrou a U$11,59 o bushel (+0,78%). Já o de julho a U$11,77 o bushel (+1,03%). Apesar da queda de 1,54% no dólar, o mercado físico da soja teve pouca alteração, principalmente pela alta de Chicago e dos prêmios.

O que esperar do mercado?

Clima nos Estados Unidos: o mercado deve continuar atento ao clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos para determinar a continuidade das atividades no campo. As previsões indicam um aumento da intensidade das chuvas nos próximos sete dias em praticamente todo o cinturão agrícola. 

Caso aconteça, poderá provocar diminuição no ritmo de plantio, podendo impulsionar as cotações de Chicago.

Safra 2023/24 norte-americana: o plantio norte-americano segue em desenvolvimento, chegando a 8% da área projetada, com condições favoráveis, de acordo com o USDA. Esse número está acima da média dos últimos 5 anos e igual ao do ano passado. Se esse ritmo persistir, é possível esperar uma evolução acima de 80% até o final do mês.

Soja brasileira: a atratividade da soja brasileira continua forte no mercado internacional. Esse fato é confirmado pelo reporte de volume exportado que, por sua vez, está elevando os prêmios de exportação. Os primeiros meses deste ano estão tendo recorde nas exportações da oleaginosa, principalmente para a China.

Exportações recordes: os primeiros meses deste ano têm sido caracterizados por volumes significativos de exportação de soja brasileira, principalmente para a China. É esperado que abril encerre com volumes próximos a 15 milhões de toneladas, totalizando aproximadamente 37 milhões de toneladas até agora. 

“Esse cenário destaca a atratividade da soja brasileira em comparação com a soja norte-americana”, diz a plataforma.

Dólar em alta: a moeda dos Estados Unidos pode retomar sua trajetória de valorização, com os investidores atentos a três pontos principais: a perspectiva de taxas de juros mais altas por um período prolongado nos EUA, a deterioração da percepção do risco fiscal no Brasil e a cautela diante do conflito no Oriente Médio.

Considerando os cenários apresentados, a Grão Direto acredita que as cotações em Chicago mantenham sua tendência de valorização, aproximando-se do nível de US$ 12,00 por bushel. 

“Essa tendência pode influenciar os preços da soja brasileira, proporcionando oportunidades favoráveis para negociações”, ressalta a empresa.

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Pecuária

Colheita de soja 2023/24 atinge 84% da área no Brasil, diz consultoria

A colheita da safra de soja 2023/24 alcançou 84% da área cultivada no Brasil, até quinta-feira passada (11), em comparação com 78% uma semana antes e 86% no mesmo período do ano passado (safra 2022/23), segundo levantamento da AgRural. Nesta reta final, o ritmo continua puxado pela colheita gaúcha e do Norte/Nordeste, especialmente da Bahia e do Piauí.

Segundo a AgRural, no Rio Grande do Sul, os produtores aceleraram os trabalhos o máximo possível durante a semana, de olho nas chuvas intensas previstas para o estado. Até o momento, as produtividades são muito boas, comentou.

Milho

Uma rodada de chuvas foi registrada na semana passada em pontos críticos do Paraná, sul de São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul, onde a safrinha vem enfrentando dificuldades por causa do calor e da falta de precipitações regulares. “Mas as pancadas, apesar de bem-vindas, não foram tão bem distribuídas. Por isso, o alerta continua ligado, especialmente no oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul”, destacou a AgRural.

Já em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, as lavouras se desenvolvem muito bem. “Novas chuvas previstas para a segunda quinzena de abril alimentam a expectativa de boa safra nesses Estados, especialmente nas áreas plantadas mais cedo, que já estarão prontas para a colheita na segunda quinzena de maio”, disse a AgRural.

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Agricultura

Preços da soja sobem no Brasil; veja cotação de Rondonópolis

mercado brasileiro de soja registrou alta nos preços no final desta quarta-feira (20).

Os produtores em todo o país registraram vários negócios, tentando aproveitar essas altas.

A Bolsa de Chicago foi o que favoreceu o tom positivo.

  • Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 118 para R$ 120.
  • Na região das Missões, a cotação cresceu de R$ 117 para R$ 120 a saca.
  • No Porto de Rio Grande, o preço avançou de R$ 124,50 para R$ 128 a saca.
  • Em Cascavel, no Paraná, a saca valorizou de R$ 115 para R$ 118.
  • No porto de Paranaguá (PR), o preço cresceu de R$ 124 para R$ 127.
  • Em Rondonópolis (MT), a saca aumentou de R$ 111,50 para R$ 113,50.
  • Em Dourados (MS), o preço subiu de R$ 110 para R$ 111 a saca.
  • Já em Rio Verde (GO), a saca subiu de R$ 108 para R$ 110,50.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços mais altos.

Após o banco central americano (Fed) definir a política monetária e divulgar novas previsões para a economia daquele país nos próximos anos, a alta ampliou consideravelmente.

Até a decisão do Fed, um movimento de cobertura por parte de fundos e especuladores e o anúncio de venda de produto americano para a China garantiram a elevação, apesar do cenário fundamental ainda negativo para os preços.

Sem grandes surpresas, o Fed manteve as taxas básicas americanas. Mas elevou significativamente a previsão para o crescimento do PIB americano nos próximos anos, sinalizando uma economia aquecida. Foi o suficiente para impulsionar as cotações da soja.

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou hoje a venda de 120 mil toneladas de soja por parte dos exportadores privados para destinos não revelados. A informação ajudou nas compras técnicas, em meio ao sentimento contrário de que a demanda vai se deslocando gradualmente para a América do Sul.

Os agentes começam a se posicionar frente ao importante relatório de intenção de plantio nos Estados Unidos, que será divulgado no dia 28 pelo USDA.

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 24,00 centavos de dólar, ou 2,02%, a US$ 12,09 1/2 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 12,23 1/4 por bushel, com ganho de 23,00 centavos ou 1,90%.

Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com alta de US$ 8,60 ou 2,57%, a US$ 342,50 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em maio fecharam a 49,00 centavos de dólar, com alta de 0,84 centavo ou 1,72%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,09%, sendo negociado a R$ 4,9739 para venda e a R$ 4,9719 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9720 e a máxima de R$ 5,0336.

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Agricultura

Exportações do complexo soja registraram recorde de volume e receita

Os embarques do complexo soja tiveram avanço de 24,7% em 2023, chegando a 126,818 milhões de toneladas. A informação parte de levantamento da Datagro Grãos. O total compreende:

  • Soja em grão: 101,856 mi de toneladas de soja em grão (+29,4%)
  • Farelo: 22,613 milhões de toneladas (+11,1%)
  • Óleo: 2,349 milhões de toneladas (-9,6%)

Os principais fatores para esse recorde é a grande safra colhida no ano passado pelo Brasil, atualmente estimada em 160,234 mi de toneladas pela consultoria, montante 23% superior à prejudicada temporada anterior.

Além disso, também explicam o cenário de remessas altas partindo do Brasil os seguintes fatores:

  • Perdas expressivas nos Estados Unidos em 2022, com safra irregular pelo quarto ano consecutivo;
  • Avanço das compras pela China após a peste suína africana (PSA) ser contornada;
  • Tensões nas relações políticas entre EUA e China; e
  • Maior competitividade do complexo soja devido à queda no padrão de preços.

Recorde de receita

soja preço cotação pib Chicago dólar

A Datagro aponta que também foi registrado recorde na receita total obtida nas exportações do complexo soja brasileiro em 2023, apesar do forte recuo nos preços médios.

Assim, a receita total foi atualizada para US$ 67,377 bilhões, 10,9% a mais que em 2022, quando foram arrecadados US$ 60,748 bilhões.

A receita do ano passado foi formada por US$ 53,316 bi decorrentes de vendas de soja em grão (+14,7%); US$ 11,507 bi da comercialização de farelo (+11,4%); e US$ 2,554 bi de óleo, o único com recuo ante 2022 (-35,1%).

“Esse extraordinário avanço da receita alcançada pelas vendas externas do setor contribuiu fortemente para impedir o recuo que estava previsto nas exportações globais do país em 2023, que veio refletindo a diminuição no ritmo de crescimento da economia brasileira. Por esse motivo, confirmamos novo recorde na participação do complexo soja na pauta geral de exportações do Brasil”, comenta Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de conteúdo da consultoria

Participação da soja na receita nacional

A receita total das exportações brasileiras em 2023 chegou a US$ 339,673 bi, crescimento de apenas 1,7% em relação ao recorde anterior, de US$ 334,136 bi, registrado em 2022.

Com isso, o setor contribuiu com 19,8%, proporção superior ao recorde de 18,2% de 2022, superando com folga os 16,2% da média de participação dos últimos 10 anos.

Projeções para 2024

Em termos de volume, a Datagro Grãos estima saídas externas do complexo soja brasileiro em 114,900 mi de t em 2024, 9,4% aquém de 2023. Ainda assim, caso se concretize, seria o segundo maior da história:

  • Soja em grão: 88,8 mi de t (-12,8%);
  • Farelo: 24 mi de t (+6,1%); e
  • Óleo: 2,1 mi de t (-10,6%)

No que diz respeito à receita, os números iniciais da consultoria apontam para US$ 54,480 bi, o que representaria recuo de 19,1% ante 2023: US$ 41,736 bi de soja em grão (-21,7%); US$ 10,560 bi de farelo de soja (-8,2%); e US$ 2,184 bi provenientes do óleo de soja (-14,5%).

“Essa retração na receita para 2024 tende a resultar também em redução na participação das exportações do setor soja na pauta geral do Brasil, de 19,8% de 2023 para 17,0%. Apesar de bem menor, essa nova taxa ainda seguiria muito superior aos 16,2% da média para os últimos 10 anos, sendo a menor desde os 16,8% de 2020”, diz França Junior.

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Agro ’empurra’ PIB brasileiro, que cresce 3% em 2023, diz prévia da FGV

A economia brasileira cresceu 3% em 2023, impulsionada pelo forte desempenho do setor agropecuário, de acordo com a prévia do PIB divulgada nesta segunda-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O setor agropecuário, que representa 6% do PIB do país, teve um salto de 15,8% no ano passado, o que representou 30% do crescimento total do PIB.

soja foi o principal destaque do setor, com um aumento de 25,3% na produção. A região Centro-Sul do país se destacou na produção da oleaginosa.

“Esse contexto mostra forte concentração setorial e regional e evidencia que o crescimento econômico não foi sentido de modo uniforme no país”, pondera a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece.

Ainda segundo a pesquisadora, “o efeito do excelente desempenho agropecuário no ano se estendeu para outras atividades econômicas, o que potencializou sua influência na economia”.

Outro fator que contribuiu para o crescimento do PIB foram as exportações, com alta de 9,5% no ano passado. 

O principal destaque foram as vendas para outros países de produtos agropecuários, que cresceram 25,3% no ano. Produtos da indústria extrativa mineral, como minério de ferro e petróleo, também tiveram desempenho expressivo no ano, com alta de 16,7%.

Setores

O setor de serviços apresentou alta de 2,5% em 2023, em um desempenho considerado “crescimento generalizado”. Já a indústria brasileira terminou o ano com alta de 1,4%.

O Monitor do PIB estima que o consumo das famílias cresceu 3,2% no ano passado. Dentro desse segmento, se destacam positivamente os setores de serviços e de produtos não duráveis (itens de consumo imediato ou com pouco tempo de duração). Em valores monetários, o consumo das famílias ficou em R$ 6,9 trilhões, o maior já registrado.


Desaceleração

De acordo com o Ibre, a economia teve desempenho positivo de 0,6% em dezembro ante o mês anterior e de 2,1% em relação a dezembro de 2022. Em janela de tempo trimestral, a atividade econômica no quarto trimestre apresentou alta de 0,1% na comparação com o terceiro trimestre e de 2,3% diante do quatro trimestre de 2022.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, o último trimestre do ano passado ficou marcado por uma “clara tendência de desaceleração”, porém, segundo ela, o resultado mostra resiliência da economia apesar das fragilidades de um crescimento anual concentrado e bastante influenciado por commodities (matérias primas com preços ditados pelo mercado internacional).


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Soja: Conab reduz projeção de safra 2023/24 para 149,4 milhões de toneladas

A produção brasileira de soja deverá totalizar 149,4 milhões de toneladas na temporada 2023/24, com recuo de 3,4% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 154,6 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 5º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No relatório anterior, a previsão era de safra de 155,3 milhões de toneladas. Houve um corte de 3,8% entre um mês e outro.

A Conab trabalha com uma área de 45,088 milhões de hectares, com elevação de 2,3% sobre o ano anterior, quando foram cultivados 44,080 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 3.314 quilos por hectare. Em 2022/23, o rendimento ficou em 3.507 quilos por hectare, o que representa uma retração de 5,5%.

Se for considerada a expectativa inicial desta temporada, a quebra chega a 7,8%, uma vez que a Conab estimava uma safra de 162 milhões de toneladas. O atraso do início das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, seguido por chuvas irregulares e mal distribuídas, com registros de períodos de veranicos superiores a 20 dias, além das altas temperaturas, estão refletindo negativamente no desempenho das lavouras.

Com a atualização na estimativa produção da soja, as exportações também devem ser reduzidas em 4,29 milhões de toneladas, saindo de 98,45 milhões de toneladas para 94,16 milhões de toneladas.

Além disso, a Companhia realizou ajuste estatístico na quantidade da oleaginosa esmagada, totalizando aproximadamente 53,36 milhões de toneladas. Cabe registrar que as perdas da soja no Brasil estão sendo compensadas pela recuperação da safra argentina, semelhante ao ocorrido no Rio Grande do Sul.

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Soja tem ligeira alta em Chicago nesta 6ª, mas caminha para quinta semana consecutiva de baixas

O mercado da soja dá sequência as pequenas altas na Bolsa de Chicago na manhã desta sexta-feira (19), porém, ainda busca definir sua direção. Assim, perto de 6h40 (horário de Brasília), os futuros da oleaginosa subiam entre 5,50 e 6,50 pontos, com o março sendo cotado a US$ 12,20 e o maio a US$ 12,29 por bushel. Na sessão anterior, o março chegou a testar os US$ 12,00, mas retomou o fôlego no final da sessão. 

Os preços seguem refletindo as incertezas que dominam a safra 2023/24 do Brasil – com colheitas em andamento, lavouras ainda se desenvolvendo e o clima permanecendo bastante irregular – as boas projeções para a produção da Argentina, ao mesmo tempo em que a demanda segue presente, porém, mais limitada. 

Assim, apesar das altas desta sexta, o mercado da soja na CBOT caminha para sua quinta semana de baixas consecutivas, tendo se aproximado das mínimas de dois anos. 

E embora a perspectiva dos produtores seja de uma safra brasileira bem menor do que as estimativas dos orgãos governamentais, a pressão sobre as cotações ainda não se dissipou, em especial pelo bom caminhar da safra argentina. 

Ainda nesta sexta, o mercado espera pelo novos números das vendas semanais para exportação a serem reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por:

 Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes

Fonte:

 Notícias Agrícolas

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Embrapa desenvolve tecnologia para reduzir perdas na soja devido à estiagem

Embrapa, em parceria com a empresa brasileira NOOA, desenvolveu uma tecnologia inovadora, o AURAS, para reduzir as perdas na produção de soja causadas pela estiagem. Essa solução utiliza a cepa CMAA 1363, a única identificada pela Embrapa com as características essenciais para codificar a tolerância à seca.

O bioativo AURAS oferece diversos mecanismos de proteção na cultura da soja, promovendo uma retomada mais rápida do ciclo produtivo após eventos de estresse.

Entre os benefícios estão a maior estabilidade do ambiente biológico do solo, melhor arranque e estabelecimento da cultura, exploração de água em regiões mais profundas do solo, conservação de água na planta e desenvolvimento mais rápido das lavouras após o retorno das condições ideais.

Marcelo Soares, Diretor de P&D da NOOA, destaca a importância da seleção cuidadosa da cepa de bacillus aryabhattai, ressaltando que apenas a cepa CMAA 1363 apresentou as características necessárias para conferir tolerância à seca. A tecnologia AURAS foi desenvolvida a partir do isolamento de bactérias da raiz de um cacto, o mandacaru, na caatinga, iniciando-se em 2009.

Os mecanismos de proteção do AURAS são divididos em quatro processos: desenvolvimento radicular, produção de substâncias que protegem e hidratam o sistema radicular, retenção de água na planta e produção de enzimas antioxidantes. Esses processos visam ativar os genes das plantas para lidar com altas temperaturas e longos períodos de estiagem.

O AURAS contribui para o equilíbrio da lavoura, reduzindo o acúmulo de componentes tóxicos produzidos pelas plantas sob estresse. Essa inovação promete fortalecer a agricultura enfrentando os desafios climáticos, proporcionando maior segurança e eficiência no ambiente de produção de soja.